A VIOLÊNCIA sexual é cada vez mais usada como uma “táctica de terrorismo” no Iraque, Síria e Iémen, no Média Oriente; e na Somália, Nigéria e Mali, em África, declarou, na segunda-feira, a vice-secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Amina Mohammed.

Ela afirmou que “a mesma história de horrores” tem sido contada por mulheres ‘yazidi’ que foram capturadas por extremistas do Estado Islâmico (EI) no Iraque, meninas que fugiram do Boko Haram, mulheres somalis libertadas do grupo extremista Al-Shaabab e mulheres que viveram sob o controlo de militantes ligados à rede terrorista Al-Qaeda, no norte do Mali.

Estes grupos extremistas “estão obscenamente a incentivar o recrutamento de rapazes com a promessa de esposas e escravas sexuais”, disse ontem ao Conselho de Segurança da ONU.

“Estão escandalosamente a estimular os lucros através da venda, troca e tráfico de mulheres e meninas”, denunciou.

Mohamed afirmou que há uma mudança gradual em relação ao passado, quando violar uma mulher, homem ou criança num conflito era “livre de custos”, para uma situação de alguma responsabilização a nível internacional e nacional “para quem cometa, comande ou tolere tais crimes”.

A responsável sublinhou que a desigualdade e a discriminação contra as mulheres estão na raiz da violência sexual nos conflitos e têm de ser abordadas para conseguir alguma mudança.

“Todas as nossas palavras, leis e resoluções não vão significar absolutamente nada se as violações ficarem por punir na prática e se falharmos no nosso dever sagrado de cuidar dos sobreviventes”, declarou.

Na República Democrática do Congo, o Governo processou mais de 400 membros das Forças Armadas, desde 2013, por crimes sexuais, mas nenhum autor de crimes foi julgado e nenhum sobrevivente compensado nos sete anos, desde a violação de 387 civis em Walikale.

Fonte: Jornal Notícias MZ