Os deslocados no centro de acomodação de Vanduzi, província de Manica, consideram que o conflito político militar agravou a sua condição de pobreza e, após umas “festas a seco”, entraram cheios de incertezas para 2017.

MAPUTO- Um cidadão citado pela Lusa disse, “Não consigo justificar às crianças, já afetadas pela movimentação, como passar um Natal e fim do ano sem uma refeição tradicional e roupa nova”.

Cerca de seis mil pessoas permanecem em tendas distribuídas pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INCG), em cinco centros de acomodação nos distritos de Gondola, Vanduzi, Guro, Mossurize, Báruè e Guro, fugindo da violência do conflito que opõe as forças governamentais e o braço Renamo, maior partido da oposição.

Com os deslocados chegam relatos de violência militar em Chiuala e Honde (Báruè), como destruição de casas e celeiros, saque de criações de aves e gado e ocupação de lojas e barracas para aquartelamento das forças governamentais, além de perseguição dos homens armados da Renamo a líderes locais e pessoas ligadas ao partido no poder.

Além dos relatos de guerra, os deslocados contam histórias de fome e pobreza na chegada aos centros de acomodação.

Entre os corredores das tendas, há quem saia para tentar ganhar a subsistência em quintais ou quem apenas fique, entre lamentos sobre a passagem inadequada das festas e as incertezas sobre o retorno em 2017 à vida pré-guerra.

Fonte: Folha de Maputo