O RECENTE anúncio da possibilidade de outros operadores do sector da aviação voarem a partir do espaço aéreo nacional para diferentes cidades da África do Sul, Tanzania, Brasil, Singapura, Turquia, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Malawi, Quénia, Maurícias, Botswana, Vietname e Qatar, num total de 30 rotas, está a animar agentes económicos com interesses no turismo nacional.

Em declarações ao “Notícias” em Durban, à margem do INDABA 2017, a maior mostra do turismo africano que vinha decorrendo até ontem nesta cidade sul-africana, alguns agentes económicos com interesses em Moçambique afirmaram que a decisão, a par da possibilidade de emissão de vistos na fronteira, vai impulsionar o desenvolvimento do sector.

Hamaya Hiatt, gestora do empreendimento Terra Água e Céu, baseado na praia do Tofo, província de Inhambane, disse que as decisões do Governo encerram um período em que era complicado para os turistas visitarem o país.

“Achamos que o Governo está cada vez mais consciente sobre a importância do turismo e esperamos que juntos trabalhemos para que mais turistas visitem Moçambique porque, segundo as previsões de organismos especializados, o nosso país estará entre os 10 destinos que irão registar maior crescimento nos próximos anos”, disse.

Sobre a participação no INDABA, Hiatt afirmou que, “à semelhança do que já fizemos nos Estados Unidos da América e Europa, viemos para promover o turismo em Moçambique”.

“Este é o nosso primeiro ano no INDABA. O maior problema em Moçambique são os voos que complicam muito, mas acreditamos que a recente abertura do mercado aéreo vai ajudar bastante”, disse.

Mesmo sentimento foi expresso por Kim Rossi, da Gorongosa Collection, e para quem não existem dúvidas que o país é um mercado turístico promissor.

“O grande desafio é entrar e circular dentro do país. A questão dos voos merece particular atenção”, frisou.

Para Natalie Tenzer-Silva, directora da DANA Tours, é necessário liberalizar o transporte aéreo para que, igualmente, sejam praticados pacotes de baixo custo e competitivos para os turistas.

“Moçambique não é como Maurícias, que é um país muito pequeno e que se pode conhecer passeando de carro. No nosso caso, os voos são imprescindíveis e até agora os turistas, sobretudo dos EUA e Europa, aproveitam as praias deste país para relaxar depois de passarem por países como África do Sul e Botswana”, disse.

Segundo ela, para tornar o turismo competitivo, a situação dos voos tem de ser revista.

“Por exemplo, de Nampula para Lichinga (Lago Niassa) são somente quatro voos semanais. Isso é muito pouco quando comparado com os 20 voos diários entre Durban e Cidade do Cabo e 30 entre esta cidade e Joanesburgo”, lamentou.

Disse ainda acreditar que a liberalização do espaço aéreo, aliada à emissão de vistos de fronteiras e a paz, “leva a crer que estamos a caminhar na direcção certa”.

“O problema é que, por exemplo, não se pode sair de Bazaruto para Quirimbas sem ir a Maputo, e isso tem custos, para além de levar muito tempo. É importante ter em conta que, por exemplo, as férias nos EUA são de apenas duas semanas e os turistas não têm muito tempo”.

Fonte: Jornal Notícias MZ