– As empresas e financiadores do Corredor Logístico de Nacala, em Moçambique, assinam na quinta-feira em Maputo os contratos de financiamento de 2,7 mil milhões de dólares relativos ao projeto, anunciaram as empresas Vale e Mitsui.

O corredor, em operação desde 2016, é um investimento de 4,5 mil milhões de dólares que junta a multinacional brasileira Vale, o conglomerado japonês Mitsui e a empresa pública moçambicana de caminhos-de-ferro CFM.

O empreendimento inclui um porto de águas profundas em Nacala, norte de Moçambique, ligado a uma linha férrea com cerca de 900 quilómetros através da qual é escoado carvão extraído da província interior de Tete.

A Vale projeta exportar 18 milhões de toneladas de carvão por ano, atingindo o máximo da capacidade da nova ferrovia, contra 13 milhões de toneladas este ano e seis milhões em 2016.

No financiamento a longo prazo que vai ser formalizado, o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) coloca a maior fatia, cerca de mil milhões de dólares, cabendo outra parcela semelhante a um consórcio de bancos japoneses, num empréstimo segurado pela Nippon Export and Investment Insurance (NEXI).

A Agência Sul-africana de Crédito à Exportação (ECIC) garante um empréstimo 400 milhões de dólares dos bancos ABSA, Investec, Rand Merchant e Standard Bank of South Africa.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) entra com uma parcela de 300 milhões de dólares.

O reembolso está previsto em 14 anos a partir de uma tarifa relacionada com os serviços de transporte de carvão e carga geral fornecidos pelo corredor – tarifa introduzida em abril após a conclusão da transação de capital entre a Vale e a Mitsui e posterior reconsolidação do Corredor Logístico de Nacala.

Os fundos agora recebidos “serão principalmente pagos à Vale para fazer face aos empréstimos feitos pelos acionistas durante a construção do corredor, mas também serão usados para apoiar a aceleração do empreendimento”, anunciou a empresa em comunicado.

“O financiamento do projeto completa a estrutura de investimento planeada para apoiar a aceleração do corredor logístico até a plena utilização da capacidade”, acrescentou.

Por outro lado, o processo “demonstra a maturidade institucional e do apoio do Governo em Moçambique e no Maláui”, referiu a Vale.

“As autoridades a todos os níveis governamentais cooperaram plenamente e permitiram que se estruturassem todos os quadros regulamentares, financeiros e legais que apoiam o projeto financeiro”, sublinhou.

“A Vale deseja que o ‘Nacala Project Finance’ se torne num cartão postal e numa referência para a atração de outros investimentos em grande escala para ambos os países”, concluiu a empresa.

Fonte: Lusa