Num documento enviado à Lusa, na sexta-feira, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) denunciou várias «provocações em violação das tréguas declaradas» em Moçambique, entre um homicídio, raptos, roubos, intimidações e extorsão.

«Queríamos lamentar estas declarações. Como sabem, as tréguas foram anunciadas e nós suspendemos imediatamente as escoltas», afirmou o porta-voz do Comando-Geral da PRM, em alusão às colunas militares obrigatórias que estavam em vigor nas principais estradas do centro de Moçambique.

O documento da Renamo elenca vários incidentes nas províncias de Tete, Manica e Sofala, centro de Moçambique, poucos dias após o anúncio do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de prolongar uma trégua de uma semana por mais dois meses, após uma conversa telefónica com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

A Renamo, no documento, diz que as Forças de Defesa e Segurança «não estão preparadas para garantir os 60 dias de tranquilidade» declarados, acrescentando que a situação «deixa alguma preocupação», apesar de a trégua não estar em causa.

O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados há mais de um ano pela violência militar, na sequência da recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Vários ataques a alvos militares e civis e emboscadas nas estradas do centro do país foram atribuídos à Renamo, que, por sua vez, acusa as Forças de Defesa e Segurança de operações na região da Gorongosa, onde se encontra Dhlakama.

Na sequência das tréguas declaradas, a polícia moçambicana anunciou a suspensão das escoltas obrigatórias na estrada Nacional 1, entre Save e Muxúnguè e entre Nhamapadza e Caia, na província de Sofala, e também na Nacional 7 entre Vanduzi (Manica) e Changara (Tete).

No seguimento da trégua, Dhlakama e Nyusi acordaram igualmente um novo formato para as negociações de paz, que inclui um grupo técnico especializado para discutir o processo de descentralização, um dos principais temas da agenda das conversações.

Fonte: Lusa