A CTA – Confederação das Associações Económicas disse hoje que a prorrogação do prazo da trégua em Moçambique declarada pela Renamo, principal partido de oposição, vai “animar a economia” e abrir espaço para novas perspetivas.

“Esta decisão [a prorrogação do prazo da trégua] desperta grandes expectativas económicas, não só para a comunidade empresarial e para os investidores estrangeiros, mas também para todo o povo”, afirmou o vice-presidente da CTA, Agostinho Vuma, em conferência de imprensa em Maputo.

Apesar de destacar a trégua como um “grande passo”, o vice-presidente da CTA entende que a consolidação de uma paz permanente é uma das principais condições para a manutenção de um bom ambiente de negócios, apelando ao Governo e à Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para encontrarem uma solução definitiva.

“Recebemos várias solicitações de investidores estrangeiros que estavam à espera da paz para investir. Temos estado em contacto com empresários da Turquia, Chile e outros países”, avançou o vice-presidente da CTA.

De acordo com p responsável, os preços dos produtos no centro e norte de Moçambique, que dispararam nos últimos tempos, vão começar a estabilizar em função da suspensão das escoltas militares obrigatórias nas principais estradas do centro do país.

“A paz para dinamização do negócio é imprescindível. Nós precisamos de paz para estabilizar a economia”, reiterou Agostinho Vuma, lembrando, no entanto, que o conflito político não foi o único motivo para crise económica em Moçambique.

O vice-presidente da CTA reiterou ainda que o diálogo entre o Governo e a Renamo deve ser dirigido diretamente pelos dois líderes, na medida em que os resultados alcançados nas últimas conversas entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama mostram que este é o caminho mais eficaz.

“Esta prorrogação por mais dois meses deve ser usada como o caminho irreversível para a paz efetiva”, assinalou o vice-presidente da CTA.

O líder da Renamo anunciou na terça-feira o prolongamento por sessenta dias da trégua temporária declarada há uma semana, para dar tranquilidade às negociações de paz entre o Governo e o principal partido de oposição.

O segundo anúncio de trégua de Afonso Dhlakama surgiu um dia após ter mantido uma conversa por telefone com Filipe Nyusi para fazer o balanço da cessação de hostilidades de uma semana, declarada pelo presidente da Renamo a 27 de dezembro.

O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados há mais de um ano pela violência militar, na sequência da recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Vários ataques a alvos militares e civis e emboscadas nas estradas do centro do país foram atribuídos à Renamo, que por sua vez acusa as Forças de Defesa e Segurança de operações na região da Gorongosa, onde se encontra Dhlakama.

Na sequência da trégua, a polícia moçambicana anunciou a suspensão das escoltas obrigatórias na estrada Nacional 1, entre Save e Muxúnguè e entre Nhamapadza e Caia, na província de Sofala, e também na Nacional 7 entre Vanduzi (Manica) e Changara (Tete).

Além da crise política, Moçambique atravessa uma conjuntura económica difícil, marcada pela subida do custo de vida, desvalorização do metical, aumento da inflação e as consequências da seca que assolou o país em 2016, deixando cerca 1,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

Fonte: Lusa