O presidente do PIMO, partido extraparlamentar moçambicano, Yaqub Sibindy, defende a união de todos os partidos políticos da oposição nas próximas eleições gerais e autárquicas, considerando que a dispersão vai dar mais uma vitória à Frelimo, partido no poder.

«É preciso que os partidos sacrifiquem a sua ambição. Vamos nos unir em torno de um candidato para estabelecer um governo de confiança nacional», afirmou, em entrevista à Lusa, Yaqub Sibindy, líder do Partido Independente de Moçambique (PIMO).

A unidade deve ter como objetivo a vitória pela oposição das eleições autárquicas de 2018 e das gerais (presidenciais, legislativas e provinciais) de 2019.

«Se nós fizermos isso, a Frelimo vai à oposição», declarou, referindo-se à Frente de Libertação de Moçambique, que governa o país desde a independência nacional em 1975.

Para as presidenciais, prosseguiu Yaqub Sibindy, não deve haver dúvidas na oposição de que o melhor candidato deve ser Afonso Dhlakama, presidente da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), segundo maior partido do país.

«Qualquer moçambicano gostaria de lhe dar um voto de confiança, porque Afonso Dhlakama, ao longo da sua juventude e até hoje, sempre lutou por causas suprapartidárias», acrescentou.

Sobre o fato de em eleições passadas as coligações com a Renamo terem falhado a conquista do poder, Yaqub Sibindy diz que essa situação deu-se porque a unidade visava apenas as legislativas e não as presidenciais.

Para o líder do PIMO, uma vitória da Frelimo nas eleições autárquicas e gerais será perigosa para o país, porque o partido no poder se tornará mais arrogante e vai levar a cabo o seu projeto de privatização do país face ao advento das receitas de gás natural.

«As eleições de 2018 e de 2019 não podem ser uma agenda normal como as eleições que acontecem desde 1994. Nós vamos transformar estas eleições num autêntico referendo: privatizar o Estado para a Frelimo ou manter o Estado como património público de todo o moçambicano», disse Yaqub Sibindy.

O PIMO foi criado em 1992, dois anos após a introdução da primeira Constituição da República multipartidária no país, mas nunca conseguiu eleger deputados à Assembleia da República.

Fonte: A Bola