Os deputados da oposição são-tomense acusaram o governo de «negligência» e «falta de vontade de socorrer» os marinheiros do navio Santo António, dado como desaparecido há mais de dez dias pelas autoridades.

«Houve negligência e não houve vontade de se socorrer este navio», acusou António Barros, deputado do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD).

«O navio desapareceu na terça-feira, as buscas só começaram na quinta-feira e a busca só durou dois dias. Na quinta-feira os marinheiros de um outro navio, o Jackques Charles, que saiu de São Tomé para o Príncipe, disseram ter encontrado depósitos de combustível de uma e duas toneladas e várias outras cargas a flutuar, cargas que com a mão não se consegue lançar para o mar, sinais claros que o navio foi a pique», explicou.

«Passou na televisão uma lista de pessoas membros da tripulação, mas nós sabemos que além desses marinheiros há mais pessoas que estavam a bordo do navio», disse, por seu lado, a deputada Filomena Pina, do Partido da Convergência Democrática.

«Queremos saber o que é que aconteceu, quem é que estava nessa embarcação e pedimos ao governo que se instaure uma comissão de inquérito para se apurar os fatos», acrescentou Filomena Pina.

Já o líder do MLSTP-PSD, Aurélio Martins, diz ter informações que «o navio já apresentava um estado de degradação avançado, não tinha garantias de segurança e não tinha comunicações».

Instou, por isso, «as autoridades competentes à abertura de um inquérito para que sejam apuradas as responsabilidades devida».

O ministro da Defesa e Administração Interna a quem as preocupações dos deputados eram dirigidas não se pronunciou.

O navio Santo António, também conhecido por ‘ferro-ferro’, foi dado como desaparecido no passado dia 22 pela capitania dos portos e levava oito marinheiros e 87 toneladas de cargas diversas.

Três dias antes tinha saído do porto de São Tomé para a ilha do Príncipe.

Fonte: A Bola