Moçambique exporta apenas três produtos para os Estados Unidos da América

 

Em 2016, os Estados Unidos da América (EUA) decidiram prorrogar por mais 10 anos a efectividade da Lei de Oportunidade e Crescimento para África (AGOA, sigla em inglês), adoptada no ano de 2000 com o objectivo de ajudar os países africanos a exportar para aquele país produtos livres de tarifas aduaneiras e quotas, com vista a desenvolverem as suas economias.

Graças à iniciativa, só no ano passado, o comércio entre os Estados Unidos e o continente africano atingiu mais de 43 mil milhões de dólares, apesar de ter um potencial para muito mais, mas questões como certificação da qualidade dos produtos e baixa capacidade produtiva dos países africanos fazem com que a oportunidade não esteja a ser integralmente aproveitada.

Moçambique, por exemplo, é um desses países que, apesar de ter a possibilidade de exportar mais de 6 mil produtos sem pagamento de taxas aduaneiras ou limitações de quantidades, apenas exporta três produtos, nomeadamente, castanha de caju, tabaco e açúcar, o que rende ao país uma média de 90 milhões de dólares norte-americanos por ano.

Preocupado com este cenário, o Presidente da República, Filipe Nyusi, decidiu aproveitar o convite que lhe foi formulado pelo Conselho Corporativo para África para participar na Cimeira de Negócios EUA-África como convidado especial, para convencer empresários norte-americanos a investirem em Moçambique no sector agrário e de agro-processamento, de modo a aproveitarem a oportunidade criada pela AGOA para exportar para o mercado norte-americano, assim como para a região da África Austral, aproveitando as facilidades criadas pela integração regional, além do próprio mercado interno. Filipe Nyusi destacou, ainda, as facilidades para o escoamento de produtos manufacturados, através dos três principais portos nacionais.

Igualmente, o Chefe de Estado reuniu-se com a direcção da Agência Norte-Americana de Desenvolvimento Internacional (USAID), com a qual o governo está a desenvolver uma estratégia que visa capacitar produtores moçambicanos, com vista a produzirem obedecendo às regras impostas para os produtos comercializáveis nos EUA e, assim, tirarem maior proveito das facilidades oferecidas pelo governo norte-americano aos produtos de países africanos.

Congressistas dos EUA preocupados com AGOA

Ainda em Washington, Filipe Nyusi participou no Fórum Parlamentar entre o Conselho Corporativo para África e os Congressistas norte-americanos. Na ocasião, os parlamentares americanos mostraram-se preocupados com o facto de os países africanos tirarem pouco proveito da AGOA e aconselharam a que se aposte muito no aumento da produção e produtividade, através do uso da tecnologia, sendo que os EUA podem ajudar fornecendo essa tecnologia aos países africanos. Aconselharam, igualmente, a maior investimento em mão-de-obra qualificada e na formação dos jovens, para que se atinja os objectivos por detrás da criação daquela lei.

Mas houve quem também aconselhou os países africanos a anteciparem-se à administração de Donald Trump e oferecerem contrapartidas que possam fazer com que o novo governo norte-americano se sinta atraído por África. Os congressistas recordaram que o slogan do novo governo é “Fazer a América grande outra vez”, o que significa que a administração Trump só vai relacionar-se com outros países se houver vantagens para os EUA. Pelo que, mais do que apenas negociar a continuidade da AGOA, os países africanos precisam de abrir os seus mercados a produtos americanos também livres de taxas, porque a oportunidade deve ter dois sentidos, isto é, não só beneficiar os africanos, mas também os americanos.

Em resposta a esta preocupação, Filipe Nyusi disse que esta visão do governo de Donald Trump é uma oportunidade para Moçambique, porque o seu governo está à procura de firmar parcerias que tragam benefícios para ambas as partes, daí que o nosso país está interessado em atrair investimento norte-americano que possa ajudar a dar emprego aos moçambicanos, a aumentar a produção, produtividade e exportações do país, mas também a gerar riqueza para os investidores norte-americanos, que dessa forma também irão ajudar o seu país a crescer cada vez mais. Neste sentido, Nyusi considera que há convergência em termos de visão, entre os governos dos dois países, no que toca às relações comerciais.

Fonte: O País