Milhares de pessoas celebraram a vitória de Emmanuel Macron e, sobretudo, a derrota da Frente Nacional na Esplanada do Louvre, em Paris, com muita música e imensas bandeiras francesas.

O lusodescendente Julien dos Santos foi para junto da pirâmide do Louvre ao final da tarde e ficou à espera do discurso de Emmanuel Macron, o candidato que apoiou desde a primeira volta, ainda que seja socialista, e disse à Lusa que é preciso “ver estes resultados com muita humildade”.

“Estou aqui para festejar a vitória do nosso novo Presidente Emmanuel Macron. Hoje é o nosso Presidente, o Presidente de todos os franceses mesmo se temos de ver estes resultados com muita humildade porque sabemos que o outro partido que estava na segunda volta era a Frente Nacional. Sabemos que muitas pessoas votaram contra a Frente Nacional, contra a xenofobia e não a favor do Emmanuel Macron”, afirmou o vereador de Gonesse, nos arredores de Paris.

Ainda assim, o jovem indicou que, “com 65%, há que se satisfazer com este resultado” e lembrou que “uma nova campanha vai começar amanhã com as legislativas”, numa referência às eleições de junho.

A rua do Rivoli, que percorre o museu do Louvre, transformou-se num desfile de carros e motos a buzinar, enquanto vendedores ambulantes escoavam a cinco euros bandeiras de França.

“Uma bandeira para o Emmanuel! Uma bandeira para o nosso presidente pequenino e bonitinho!”, clamava Camélia Ali à multidão que se dirigia para a Esplanada do Louvre.

À entrada da esplanada, entre o jardim das Tulherias e a pirâmide do Louvre, as pessoas eram revistadas a cada cinquenta metros e concentravam-se no caminho de terra coroado, no horizonte, pela roda gigante iluminada com as cores da bandeira francesa da Praça da Concórdia e, perto da esplanada, pelo pequeno arco que precede a pirâmide.

“Quero aproveitar este momento. Estou muito contente pelo Macron. Não queria que Marine Le Pen passasse, tinha medo”, afirmou à Lusa Fatou Camara, de 43 anos, agitando uma bandeira e dançando ao som da música.

Dançar ao som de “Magic in the air” com as mãos e as bandeiras no ar transformou o exterior de um dos museus mais visitados do mundo numa pista de dança.

“Danço de alegria! Estou muito contente porque votei pelo Macron: pelo programa, pela Europa, pela economia. Ainda bem que ganhou contra a Marine Le Pen. Agora danço porque é uma felicidade e espero com impaciência o novo mandato”, contou à Lusa Hassna Ben Abiss, de 28 anos.

Mais discretos mas igualmente sorridentes, Brigitte Feyt e Jean Favreau estão otimistas em relação aos próximos cinco anos e, sobretudo, “orgulhosos pelo voto da França”.

“É uma experiência, pelo menos ele é pro-europeu. Estamos orgulhosos porque depois de todas estas mortes com os ataques terroristas não votámos pelo ódio e pela exclusão”, afirmou a professora de francês de 56 anos.

O companheiro votou “contra Le Pen” e está “muito contente que ela tenha feito menos de 40 por cento”.

“É um partido racista, xenófobo. Ele fez um enorme resultado. O sucesso desta noite é a derrota da FN e é isso que representa a vitória de Macron”, concluiu o arquiteto de 64 anos.

Também a lusodescendente Sónia Henriques votou Emmanuel Macron porque “não queria deixar passar a Le Pen” e, apesar de ter votado Jean-Luc Mélenchon do movimento A França Insubmissa na primeira volta, veio ao Louvre festejar a vitória de Macron.

“Estou aqui porque é muito importante para mim não deixar passar os extremos. A Frente Nacional é muito grave porque tivemos um passado muito complicado aqui em França com a Alemanha, com a guerra e não quero deixar passar isso”, contou a assistente comercial de 26 anos.

Emmanuel Macron escolheu festejar na esplanada do Louvre, entre a pirâmide do museu e a entrada do Jardim das Tulherias, evitando a Praça da Concórdia, conotada à direita desde a vitória de Nicolas Sarkozy, e a Bastilha ou a Praça da República, conotadas à esquerda.

O dispositivo de segurança era semelhante ao que foi usado nas ‘fanzones’ do Euro2016 e as semelhanças com uma vitória de futebol alargavam-se às milhares de bandeiras agitadas no ar e à banda sonora escolhida para animar as hostes.

“Os artistas escolhidos são medíocres como nas músicas de futebol. Pessoalmente preferia discursos de simpatizantes de Macron. Depois há muitas bandeiras, as luzes, realmente parece bastante um jogo de futebol. Estou muito contente que não seja o FN e vim para viver este momento. Votei contra o FN, não forçosamente por acreditar em Macron”, contou Pierre Zeimet, de 23 anos e organizador de um festival de música em Nancy.

Fonte: Notícias ao Minuto