A CORAGEM demonstrada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, ao aparecer publicamente e falar aos moçambicanos das realizações do seu Governo é prova de que sempre se inspirou no povo e dele busca aconselhamentos.

Este posicionamento foi assumido por personalidades ouvidas pela reportagem do Notícias a propósito do meio-termo do mandato do Chefe do Estado. Segundo os entrevistados, a forma modesta e humilde como Nyusi se dirigiu aos moçambicanos não para se justificar sobre o que não foi feito, mas apresentar parte do que se propôs fazer ao longo dos cinco anos e comprometer-se a trabalhar afincadamente para cumprir a promessa, corrigindo o que vai mal, transmite a confiança aos moçambicanos de que o país está a dar passos firmes e seguros rumo ao desenvolvimento.

Consideram que as críticas que oriundas de diferentes quadrantes da sociedade, relativamente ao desempenho do Executivo do Presidente da República são, na essência, aconselhamentos e contribuições de moçambicanos preocupados com o desenvolvimento sócio-económico do país.

 

Humildade e responsabilidade

Na opinião do Reverendo Marcos Macamo, do Conselho Cristão de Moçambique, antes de caracterizar ou classificar a maneira como o Presidente Nyusi dirigiu os destinos do país durante a primeira metade do seu mandato, é preciso olhar para a humildade e sentido de responsabilidade que demonstrou, ao aparecer publicamente a fazer uma auto-avaliação do seu trabalho.

Segundo afirmou, Nyusi Sustentou ser esta uma forma de corporizar as suas afirmações aquando da sua tomada de posse quando disse que o povo era o seu patrão, sendo sua responsabilidade fazer esta prestação de contas ao seu eleitorado.

De acordo com o clérigo, ao se mostrar e dizer o que fez e o que ainda está por fazer, o Presidente da República transmitiu a confiança ao seu patrão, ainda que não tenha cumprido na íntegra a promessa, ao mesmo tempo que dá a cara e busca aconselhamentos para ultrapassar as dificuldades e está a mostrar firmeza no seu trabalho.

“Agindo desta maneira, permite ao patrão, que é o povo, estabelecer um diálogo construtivo. Penso que não é tempo suficiente para começarmos a atirar pedras contra o Governo, como resultado do término da metade do mandato porque os primeiros momentos serviram para consolidação e criar confiança, tirar dúvidas, descobrir a melhor fórmula e preparar o terreno para a acção. Só o facto de aparecer publicamente falar do trabalho que está a fazer, mostra a vontade do Chefe do Estado de manter o contacto com a nação”, sugere Marcos Macamo, para quem o gesto demonstra humildade que dá lugar ao diálogo e abre espaço para um contacto permanente.

Um outro aspecto de destaque para Macamo é a aproximação que Filipe Nyusi faz com outros partidos, pelo que o povo não deve aguardar apenas pelas realizações do Governo, mas deve se envolver na agenda do Estado e precisa de se sentar com o seu presidente e traçar o caminho certo.

No seu entender, o papel das igrejas e diferentes confissões religiosas é de orar para se ultrapassar as dificuldades, pedir a reconciliação porque não é possível haver uma convivência pacífica entre os moçambicanos sem se reconciliarem.

“Encorajamos o Presidente da República a seguir em frente porque ser corajoso não significa não ter medo, mas sim o corajoso é aquele que enfrenta o problema com sensatez, encara o perigo e domina as dificuldades. Nós como Igreja pedimos compreensão e tolerância. Não desejar o impossível e devemos perceber que devagar e com segurança podemos chegar ao que queremos. Temos que nos recordar que não escolhemos tudo que herdamos, mas temos que enfrentar a realidade”, disse Macamo, para quem o país está com sede de chegar longe, mas é preciso confiar em Deus.

Encoraja ao Presidente a reaparecer mais vezes para interagir com o seu povo e a igreja é conselheira que estará sempre disposta a colaborar com o Governo na moralização da sociedade e mobilização para todas as formas de participação na agenda nacional.

ADD-2

 Não vergou perante adversidades

AS condições económicas difíceis, provocadas pela crise internacional, não foram suficientes para amolecer a governação do Presidente Filipe Nyusi que, na opinião de Edson Macuácua, deputado, enfrentou todos os constrangimentos e conseguiu, com os meios disponíveis, alcançar resultados positivos.

De acordo com Macuácua, o Presidente Nyusi tomou posse num contexto internacional de crise económica e financeira, de baixa dos principais produtos de exportação, com impacto na balança de pagamentos e no fluxo de investimentos e apoios externos aos países em desenvolvimento.

A nível nacional, registava-se um ambiente bastante adverso, caracterizado por cheias e secas que afectaram a  produção e produtividade, sobretudo ao nível da agricultura, tensão militar, dívida pública e descontinuidade do apoio dos parceiros ao Orçamento do Estado e com a desvalorização do metical face ao dólar.

“Foi neste quadro que Nyusi inicia o seu mandato e enfrenta estes desafios. Fez juramento ao povo, a quem chamou de seu patrão, de resgatar a paz, manter o país unido e promover o desenvolvimento. Hoje temos o país com a paz relativa, conquistada e a caminhar para uma paz duradoira. Temos os índices de produção agrícola dos mais altos dos últimos 15 anos. Tem estado a gerir o  dossier da dívida pública, o metical valorizou-se face ao dólar,  os indicadores macroeconómicos melhoraram bastante,  foram concluídos vários empreendimentos iniciados neste e no último mandato e há vários projectos em curso. A nível diplomático, Moçambique continua a elevar o seu prestígio na arena internacional”, disse Edson Macuácua.

Acrescentou que o Presidente  da República está a manter o Estado a funcionar, sem o apoio dos parceiros de cooperação, nunca falhou ao pagamento dos salários e tem estado a implementar o manifesto eleitoral.

Falando sobre a sua linguagem e estilo de trabalho, que são alvo de crítica por parte de alguns círculos, Edson Macuácua afirmou que cada líder tem a sua maneira de trabalho, recordando que os cinco líderes que a Frelimo teve são diferentes na sua personalidade e no seu estilo de trabalho.

Exemplificou que Samora foi diferente de Mondlane, Chissano diferente de Samora, Guebuza de Chissano e Nyusi é diferente de Guebuza, mas todos lutam pelo mesmo ideal, que é o bem-estar do povo moçambicano. As diferenças na personalidade e estilo de liderança de cada um serviram para o contexto em que cada um esteve como líder.

“Foi na diferença que cada um reinventou a política e fez os ajustamentos necessários a cada contexto. Cada um tem a sua marca pessoal e influencia a colectividade. Os líderes são produto do tempo histórico em que vivem e são também obreiros do seu próprio tempo histórico. O uso da primeira pessoa pelo Chefe do Estado tem um fundamento constitucional, pelo facto de o Presidente da República ser um órgão unipessoal que é eleito por sufrágio directo e pessoal. Tem um compromisso directo com o povo e deve prestar contas ao povo que o elegeu, sobre o grau de cumprimento das promessas feitas. Há que recordar que durante as eleições, para além do manifesto eleitoral, há um compromisso que o candidato Filipe Nyusi apresentou e durante a tomada de posse fez um juramento perante o Povo”, sustentou.

Sobre o estilo pessoal de liderança do Chefe do Estado, Edson Macuácua destacou a simplicidade, humildade, ponderação e pragmatismo, que o levaram a lograr os resultados positivos, num contexto bastante adverso.

Na opinião de Macuácua, não existem fórmulas estáticas de resolução de problemas, assegurando que o conteúdo e estratégias para alcançar os objectivos mudam  com o tempo, ainda que a finalidade seja a mesma.

“Por exemplo, em 1975 a construção da unidade nacional passava  pelo centralismo democrático, mas hoje a consolidação da unidade nacional passa pelo inverso, que é a descentralização e desconcentração. Cada ciclo exige um estilo de liderança adequado ao contexto. Todos nós como Moçambicanos devemos apoiar os esforços do mais alto magistrado da nação na implementação da agenda  nacional de unidade, paz e desenvolvimento”, disse.

ADD-3

Enfrentou dificuldades

O Sheik Saide Habibo, do Conselho Islâmico de Moçambique, é de opinião que os desafios políticos e económicos do país, quando o Presidente Filipe Nyusi tomou posse nas suas funções, reflectiram-se na governação, enfrentando-os desde logo com coragem e determinação.

Mesmo considerando os progressos que já haviam sido alcançados, segundo afirmou, prevaleciam alguns problemas que constrangiam o trabalho do Governo mas, segundo Habibo, o Presidente da República conseguiu trazer uma “lufada de ar fresco”, quando se lançou, determinado, às questões mais importantes do país, sem medo de falhar.

“Não camuflou os problemas existentes no país, mas sim teve abertura de trabalhar para enfrentar as dificuldades. Há uma intervenção inédita do Presidente da República, quando procura comunicar-se com o povo. As visitas que efectua às diferentes instituições são fundamentais e nós precisamos de valorizar isto. Não basta identificarmos os problemas mas, acima de tudo, precisamos de propor soluções. A frontalidade do Chefe do Estado em relação à questão da paz, fez mudar a postura do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que passou a ter mais confiança porque o Presidente Nyusi não só falou, como demonstrou com acções de que tem vontade de trazer de volta a tranquilidade para Moçambique”, disse Habibo, sublinhando que é este o elemento de confiança e reconciliação que o Presidente está a construir no seio dos moçambicanos.

Apesar de reconhecer que não é fácil construir este edifício de confiança e reconciliação, por causa da resistência de alguns, o Sheik acredita que é possível se alcançar a paz efectiva. É preciso fazer compreender a todos que sem tranquilidade no país não haverá progresso.

Sobre o papel das confissões religiosas, o Sheik Saide Habibo defendeu que estas devem consciencializar a sociedade, sobre a importância da sua participação na vida do país, devendo todos se envolver na busca de soluções.

Disse haver condições de desenvolvimento, com os recursos naturais, humanos e materiais existentes, que devem ser capitalizados para o bem de todos e deixar de ser negativistas.

Fonte: Notícias MZ