O SECTOR da Educação e Desenvolvimento Humano, na província de Nampula, projecta matricular, no próximo ano lectivo, cerca de cem mil novos alunos nos diversos níveis e subsistemas de ensino. Para o efeito  já foram planificadas várias acções, entre as quais a antecipação, por 20 dias, do início do processo de inscrições, aprazado  para Outubro próximo.

Para além dos estabelecimentos de ensino as matrículas vão decorrer ao nível das comunidades onde está agendado o processo de arrolamento das crianças com seis anos de idade e que estejam fora do ensino formal.

Segundo Júlio Mendes, Director Provincial da Educação e Desenvolvimento Humano, que revelou o facto ao nosso Jornal, no presente ano lectivo foram matriculadas, na primeira classe, 309.670 crianças, divididas em 4.316 turmas, contra um plano de 286.046 alunos.

Apesar do cumprimento abaixo da meta, verificado, de acordo com a fonte, a província tem ambições de expandir o acesso do ensino, cumprindo assim um dos benefícios inscritos na Declaração Universal dos Direitos da Criança.

A realização de matrículas antecipadas, precedida de um processo de levantamento de menores em idade escolar, junto das comunidades, com o apoio das respectivas lideranças, visa, essencialmente, abarcar maior número possível de crianças, no âmbito da estratégia de expansão de oportunidades de acesso à escolarização.

O crescimento dos efectivos, sobretudo na primeira classe, vai implicar, naturalmente, a construção de mais salas de aula e, conforme a programação do sector de Educação e Desenvolvimento Humano, em Nampula, estão previstas no plano do presente ano 100 novas salas de aula, cujas obras de edificação deverão arrancar brevemente.

Na mesma ocasião, Mendes referiu que a sua instituição tem o desafio de aumentar o número de salas de aula na província, com vista a promover o acesso ao ensino na quinta e oitava classes. Nestas classes regista-se um número notável de alunos que se encontram fora da sala de aulas devido à falta de vagas, bem assim pela recusa dos pais e encarregados de educação em matricular os seus filhos nas escolas que se localizam distante das áreas de residência.

Uma solução pontual encontrada para esta situação, de acordo com Júlio Mendes, passa pela requalificação de algumas escolas e, sendo assim, conforme explicou, alguns estabelecimentos do nível primário do segundo grau passarão a leccionar o ensino secundário do primeiro grau. Esta situação será complementada com a construção de novas salas de aula, à medida que o governo conseguir mobilizar fundos para o efeito, disse a fonte.

No entanto, a província está a registar resultados positivos nos seus esforços para mitigar o absentismo e baixo desempenho por parte dos docentes, facto que é notável ao nível dos distritos de Muecate, Rapale, Nacarôa e Eráti, onde o fenómeno era mais visível.

Mendes disse ainda que o sucesso da verdadeira batalha desencadeada pelo seu sector, visando mitigar o absentismo do professor, que concorria para o baixo nível de desempenho, contou com o envolvimento das lideranças comunitárias que denunciam as referidas práticas, bem como dos governos distritais, através de inspecções sem pré-aviso aos estabelecimentos de ensino.

Fonte: Notícias MZ