A TANZANIA aceitou negociar com a gigante mineradora canadiana Barrick Gold, a quem o país acusa de operar ilegalmente e de fugir ao fisco, diz um comunicado do governo emitido semana finda.

A Barrick é accionista maioritária da Acácia Mining, registada em Londres, que o relatório de uma comissão presidencial disse não estar registada para operar na Tanzania e que não tem pago os devidos impostos, na ordem de biliões de dólares americanos. A Barrick refuta as alegações.

Quarta-feira, o presidente executivo da Barrick, John Thornton, chegou à Tanzania para se encontrar com o Presidente John Magufuli depois de as alegações sobre a fraude terem provocado a queda das acções da companhia.

A empresa “está pronta para negociar com o governo tanzaniano o reembolso do dinheiro perdido como resultado das operações,” diz um comunicado da presidência, que não avança detalhes.

Segundo o comunicado, Thornton está “pronto para dialogar com o governo tanzaniano no interesse de ambas as partes e pagar o que é devido a este país africano.”

Magufuli acusou a companhia, semana passada, perante as câmaras de televisão, de “nos roubar”, mas aceitou a proposta de diálogo.

Ele disse que um comité especial vai ser formado, “com vista a um acordo sobre o reembolso do dinheiro devido e como é que a companhia vai de agora em diante conduzir as suas operações, no interesse de ambas as partes.”

Ainda na última semana, uma comissão do governo disse que a fraude no sector da mineração custou à Tanzania 84 biliões de dólares americanos num período de 19 anos e acusou as companhias estrangeiras de não declararem as suas receitas.

A Tanzania é rica em minerais e ocupa o quarto lugar entre os países produtores de ouro no continente africano. O ouro é o principal produto mineiro de exportação do país e uma das suas principais fontes de receita.

Também exporta cobre, níquel, prata, diamantes e outras pedras preciosas, tais como a tanzanite.

Em Março anunciou estar a banir a exportação de minérios não processados para promover o desenvolvimento do sector de processamento de minérios, criar novos empregos localmente e aumentar as receitas geradas pelo sector.

O comunicado de quarta-feira também diz que Thornton tinha concordado que a Barrick vai “cooperar” na construção de uma fundição na Tanzania.

Fonte: AIM