30 anos sem Machel

Se a voz de Samora Machel ganha eco em áudios, em vídeos e demais plataformas que ajudam a difundir o seu legado, a moda – como uma das artes que consegue descrever quaisquer realidades – não estaria alheia à esta exaltação. E não podia ter acontecido num outro ano, afinal, este é o ano Samora Machel.

Comemora-se, desde a primeira hora de 2016, a vida e obra do primeiro Presidente da República. Diferentes eventos marcaram este ano, e a arte não se conteve. Mesmo na cauda das celebrações dos 30 anos do seu desaparecimento físico, Malenga Machel – o filho mais novo do antigo presidente – decidiu unir amigos e demais personalidades para exaltar Samora através da moda.

O evento, que teve lugar, ontem, no Conselho Municipal de Maputo, não deixou dúvidas. Mais do que a passarela, que expunha diferentes modelos que traziam rostos, peças de roupa e outros objectos que contam a história do histórico líder, os convidados, para lá de elegantes, davam a entender o quão transversal era o evento.

O casal Bang e Lizha James, o cantor Mc Roger, Moreira Chonguiça, entre outros artistas e jovens de múltiplas iniciativas coroaram os assentos. Foi uma noite de luzes, de marcas e, acima de tudo, de tendências.

A imagem de Samora passeava por camisetas, blusas, vestidos, calças e demais peças. Os aplausos, também cheios de elegância, mostravam o quão os presentes estavam encantados com o desfile.

Foi um evento curto, de cerca de meia hora, mas significante. E não tinha que ser longo, tinha, mais é, que ser encantador e capaz de convidar os presentes às lojas. Esse era o objectivo: atrair mais pessoas à marca Samora Machel e, consequentemente, aos ideais do presidente. Foi sem dúvida essa a ideia que Malenga teve ao se juntar aos estilistas Shazia Edem e Cláudio Lobo.

Graça Machel, presente na cerimónia, disse que o evento mostrou que os jovens têm a sua maneira de se exprimir e de honrar os seus pais. “Jovens, o mundo – o espaço – é vosso, e nós só estamos aqui para dizer: avancem!”, incentivou, desta maneira, demais iniciativas da juventude.

Mc Roger, por sua vez, olha para este evento como algo positivo, pois, na sua opinião, é necessário que ensinemos a juventude e as crianças quem libertou esta pátria. “E Samora Machel é um nome que deve ser conhecido pelos mais novos, porque eles devem saber o que custou a liberdade”, frisou, acrescentando que se assistir um evento deste, em que jovens desenham as suas próprias roupas exaltando Samora, é fantástico.

Já para o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, esta cerimónia de moda traz uma linguagem da juventude que pretende perpetuar o legado de Samora e entende que “independentemente das colorações políticas ou ideológicas, Samora Machel tem um lugar indelével na história de Moçambique.

“Queria honrar Samora de uma maneira completamente diferente”

“Eu queria honrar Samora Machel de uma maneira completamente diferente e também de uma maneira que pudesse comunicar mais com a juventude. Eu decidi usar a arte, a moda, neste caso, para poder fazer isso. Foi a forma que eu achei mais apropriada para que os jovens conseguissem relacionar-se melhor com Samora”, compartilhou Malenga, visivelmente emocionado e com um semblante de dever comprido.

Não era para menos, pois o jovem já não pensava em criar o projecto este ano, pois na manga tinha mais duas iniciativas e não via como realizar tudo ao mesmo tempo. Entretanto, com o encorajamento da mãe (Graça Machel) foi possível tornar este sonho em realidade, mesmo com apenas um mês de criação.

Fonte: O País