Procuradores italianos estão a investigar um esquema de corrupção em que o ex-Presidente nigeriano Goodluck Jonathan e a ex-ministra do Petróleo são suspeitos de terem recebido subornos das petrolíferas ENI e Shell.

Segundo documentos judiciais a que a agência France Presse teve acesso, o Ministério Público (MP) de Milão abriu um inquérito preliminar que envolve 11 pessoas, incluindo os dirigentes das duas petrolíferas e as próprias empresas.

Goodluck Jonathan referiu na terça-feira que ainda não foi acusado nem julgado por ter recebido o dinheiro de forma ilegal e tanto o ex-Presidente como a sua ex-ministra do Petróleo Diezani Alison-Madueke não estão na lista dos 11 investigados.

No entanto, os procuradores suspeitam que os dois terão tido um papel central no negócio que permitiu à ENI e à Shell obterem a concessão de um bloco petrolífero no ‘offshore’ nigeriano por 1,3 mil milhões de dólares em 2011.

Apesar desta suspeita, ainda não foi feita nenhuma acusação formal e as partes dispõem geralmente de 20 dias para responder à conclusão do relatório preliminar de inquérito antes de ser formalizada qualquer acusação.

Segundo o MP italiano, o diretor-geral da ENI, Claudio Descalzi, e o seu antecessor, Paolo Scaroni, encontraram o ex-Presidente pessoalmente para discutirem a transação, que envolvia ainda antigos agentes dos serviços secretos britânicos que trabalhavam como conselheiros para a Shell.

Os procuradores suspeitam que os responsáveis da ENI e da Shell colaboraram com o empresário nigeriano Dan Etete, que foi ministro do Petróleo durante o regime militar de Sani Abacha, de 1995 a 1998.

Uma das empresas de Dan Etete, a Malabu, obteve “de forma fraudulenta” a concessão do bloco OPL 245, para a qual não foi aberto qualquer concurso e com “isenção total e incondicional de quaisquer impostos”, segundo o MP.

Um total de 801,5 milhões de dólares (759 milhões de euros) terá sido transferido de contas da empresa Malabu, dos quais 466 foram convertidos em espécie na Nigéria e utilizados para pagar a funcionários do Governo, incluindo Jonathan e Alison-Madueke, ainda de acordo com os procuradores.

Outro montante de 54 milhões de dólares (51 milhões de euros) terá sido levantado por um homem, Abubakar Aliyu, considerado pelo MP como “agente mandatado” por Jonathan.

O MP estima que estas verbas tenham sido gastas em bens de luxo como imóveis, aviões ou carros blindados.

Em comunicado, o porta-voz de Jonathan, Ikechukwu Eze, referiu que “em nenhum momento o antigo Presidente teve reuniões privadas com representantes da ENI para discutir questões monetárias nem enviou intermediários para recolher dinheiro em seu nome”.

O ex-Presidente “não tem qualquer conta bancária, avião ou imóveis fora da Nigéria”, acrescentou.

Também a ENI e a Royal Dutch Shell negaram qualquer responsabilidade neste caso.

A ex-ministra do Petróleo já foi detida em 2015 pela agência britânica contra o crime organizado por suspeita de corrupção e branqueamento de capitais, mas também negou as acusações.

Vários altos funcionários do Governo de Jonathan foram detidos por corrupção, mas poucos foram condenados até agora.

Fonte: Notícias ao Minuto