Os problemas associados à crise da dívida pública em Moçambique vão continuar sem uma resolução rápida, estando o Estado moçambicano há já algum tempo em situação de incumprimento financeiro, escreveram os analistas da Economist Intelligence Unit (EIU) no mais recente relatório sobre o país.

Os analistas voltam a afirmar que o cenário mais provável será a junção dos três empréstimos comerciais garantidos pelo Estado (uma emissão de obrigações e dois empréstimos sindicados) num único instrumento, devendo os tomadores ser forçados a aceitar uma perda do capital investido e o pagamento a ser empurrado para meio/final da década de 20.

A ideia consensual é que nessa altura os grupos ENI e Anadarko Petroleum (que ainda não anunciaram a decisão final de investimento) estejam a comercializar o gás natural extraído na bacia do Rovuma, assegurando ao Estado moçambicano rendimentos fiscais que deverão ser significativos.

O calendário para todo este processo é desconhecido, pretendendo os credores que o relatório elaborado pela Kroll Associates UK seja divulgado na íntegra pela Procuradoria-Geral da República de Moçambique e muito provavelmente que o Fundo Monetário Internacional regresso às negociações com o governo moçambicano para a aprovação de um pacote de ajuda.

O FMI e, numa data posterior, os organismos internacionais e países ocidentais que têm estado a apoiar o Orçamento de Estado de Moçambique, suspenderam toda a ajuda na sequência da divulgação de dois empréstimos que foram contraídos por duas empresas públicas à margem do disposto na lei.

Os analistas da EIU prevêem que o Produto Interno Bruto, depois de ter atingido o ponto mais baixo dos últimos 15 anos em 2016 com uma taxa de crescimento de 3,8%, cresça este ano à taxa de 4,2%, empurrado quase que exclusivamente pelos recursos minerais.

Neste caso encontra-se o carvão, minério cuja exportação deverá crescer, devido ao aumento do preço nos mercados internacionais, da procura por parte da Índia, o principal mercado de Moçambique para este produto, bem como aos esforços das empresas mineiras no sentido do aumento de eficiência.

Depois de 2017, a EIU prevê que o crescimento da economia de Moçambique acelere, estimando uma taxa média de 5,3% no período 2018/2021, com os três últimos anos a registarem taxas entre 5,3% e 5,5%.

Fonte: MacauHub