Centenas de raparigas quenianas preparam-se para passar o Natal nas escolas, e não com as famílias, para evitar que os pais as sujeitem à mutilação genital feminina (MGF) durante as férias.

A MGF é feita de diversas formas: em algumas corta-se o clítóris, noutras os grandes e os pequenos lábios. Uma vez concretizada, é irreversível e se a vítima sobreviver irá sofrer consequências físicas e psicológicas permanentes. Além do sofrimento que as mutiladas sente no momento do corte, o processo de cicatrização é acompanhado com frequência por infeções, devido ao uso de utensílios contaminados, e dores ao urinar e defecar. A incontinência urinária e infertilidade são outras das sequelas.

Risco de Sida

O facto de serem usadas as mesmas lâminas para mutilar várias crianças aumenta o risco de se contrair o vírus da Sida. Além da mãe, também os recém-nascidos podem sofrer com a mutilação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a taxa de mortalidade infantil é mais elevada em 55 por cento em mulheres que sofreram uma mutilação de tipo III (a infibulação, que consiste em fechar a abertura vaginal). A MGF pode tornar a primeira relação sexual da mulher muito dolorosa, sendo mesmo perigosa no caso da mulher sofrer um corte aberto. Em certos casos, as relações sexuais das mulheres continuam dolorosas ao longo da vida.

Muitas vezes são os pais que pagam ou iniciam a prática, para que as filhas possam casar com homens que não aceitariam mulheres não circuncidadas. Algumas culturas acreditam que os órgãos femininos são impuros e têm de ser purificados. Esta prática permite que somente os homens possam desfrutar do prazer sexual. Também se pensa – erradamente – que a MGF melhora a fertilidade e desencoraja a promiscuidade sexual. No entanto, esta prática leva à frigidez das suas vítimas. Logo, os seus maridos evitam o relacionamento sexual com as suas esposas, procurando relacionamentos extraconjugais contribuindo ainda mais para a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis.

Fonte: Sapo MZ