O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) considerou hoje o julgamento dos 37 alegados ex-militares acusados de atentado contra o Presidente da República como uma montagem para atingir o maior partido da oposição.

Em entrevista à agência Lusa, Isaías Samakuva afirmou que este caso, cujo julgamento arrancou em dezembro, em Luanda, foi denunciado pela própria UNITA, incluindo as “cenas macabras” que diz terem sido desenvolvidas pelos serviços secretos angolanos com o propósito de “criar embaraços” ao partido.

“Nós estamos atentos a acompanhar o evoluir da situação para vermos qual é a real acusação e quem sairá como o principal acusado desta cena toda, que é uma montagem que tem as mãos escondidas de forças que são bastante conhecidas”, apontou.

Samakuva garante perentoriamente que o partido não teve qualquer intervenção neste caso: “Nós não tivemos mão nenhuma. A UNITA denunciou apenas que os serviços secretos do Estado estavam a urdir algumas cenas bastante macabras, nós apenas quisemos a alertar a opinião pública, denunciar pelo facto de constatarmos que essa iniciativa não era dos ex-militares da UNITA”, disse.

Em causa um julgamento que teve início a 02 de dezembro, na sala dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda, e envolve alegados ex-militares, desmobilizados, das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), o braço armado da UNITA durante a guerra civil em Angola, que terminou em 2002.

De acordo ainda com o líder do maior partido da oposição, tudo aponta para que “havia de facto a intenção da parte dos serviços secretos” de levar a cabo uma “cena” de “conspiração” que “visava essencialmente criar embaraços e problemas bastante sérios à UNITA”.

Isaías Samakuva reclama pela imparcialidade do tribunal, para que seja “aprofundada a verdade” sobre os reais culpados dessa ação.

A acusação promovida pelo Ministério Público sustenta que o grupo de acusados “era bastante organizado militarmente e que recrutavam os ex-militares das FALA com o objetivo de atentarem contra o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e tomarem o poder a força com recurso a armas de fogo, catanas e ainda de métodos feiticistas”.

São acusados de associação de malfeitores, posse ilegal de armas e atentado contra o presidente da república, na forma frustrada, previsto para a madrugada de 31 de janeiro de 2016.

Acusações que são refutadas pela defesa, que refere que a única mobilização que os acusados fizeram foi para uma manifestação pacífica para reclamar a não-inserção na Caixa Social das Forças Armadas Angolanas, “e não atentar contra o presidente da república”.

A polícia apreendeu igualmente na posse dos acusados armas de fogo e catanas.

Dois dos 37 arguidos encontram-se foragidos e os restantes em prisão preventiva, desde a sua detenção, a 30 de janeiro de 2016.

Fonte: Notícias ao Minuto