A injeção de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) na banca comercial desceu quase 30% na última semana, para 214,7 milhões de euros, mas garantindo novamente a transferência de salários de trabalhadores expatriados.

A informação consta do relatório semanal do BNA, libertado hoje, sobre a evolução dos mercados monetário e cambial entre 19 e 23 de dezembro, e contrasta com os 302,2 milhões de euros da semana anterior.

Segundo o documento, consultado pela Lusa, as divisas disponibilizadas – mantêm-se exclusivamente em euros desde março -, em vendas diretas equivalentes a 239,9 milhões de dólares, destinaram-se sobretudo a cobrir necessidades do setor petrolífero (28,4 milhões de euros), bem como da indústria em geral (27,8 milhões de euros) e para a importação de alimentos (26,9 milhões de euros).

Para a cobertura de operações de salários de expatriados foram disponibilizados na última semana mais 26,7 milhões de euros, a quarta semana consecutiva de disponibilização de divisas para o efeito.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada ao final da última semana, permaneceu praticamente inalterada, nos 166,727 kwanzas por cada dólar e nos 186,281 kwanzas por cada euro.

Contudo, no mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 490 kwanzas.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica com a forte quebra (50%) das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade e a revisão do Orçamento Geral do Estado de 2016.

A conjuntura nacional levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando as importações.

Devido ao fim de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA.

A falta de divisas dificulta ainda a transferência de salários dos trabalhadores expatriados, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

Fonte: A Bola